Vinhos e comida de Boteco

Atualizado: Fev 10

Como já disse algumas vezes, o vinho é uma bebida que vai bem com qualquer prato, basta escolhermos corretamente. Aí vão umas dicas de harmonizações à brasileira, aqueles clássicos aperitivos de boteco com belos vinhos brancos, rosés ou tintos.


Torresmo

Vamos começar pelo amado torresmo, um dos maiores clássicos de boteco. Aquela barriga de porco frita em óleo bem quente, resulta numa carne úmida e macia, com uma pele super crocante. Esta receita é gordurosa e salgada, por isso, o vinho para harmonizar deve ser capaz de quebrar o excesso de gordura e ser bem estruturado para dialogar com o sabor forte do torresmo. Os tintos mais encorpados e tânicos, como as cepas Shiraz, Tannat ou Cabernet Sauvignon, são boas opções. Como exemplo de harmonização nós temos o brasileiro Campanha Marselan - Tannat (2016) da vinícola gaúcha Salton. Possui corpo bem estruturado, taninos presentes e elegantes, 13,5% de graduação alcoólica e, com amadurecimento de 18 meses em barrica de carvalho, é uma bebida forte suficiente para acompanhar um torresminho.


Frango à Passarinho

Deliciosa porção de tulipas de frango fritas em óleo, comumente temperadas com limão e alho. Novamente temos um prato gorduroso, mas este com potência média de sabor, assim o vinho deve limpar o excesso de gordura em nossa boca ao mesmo tempo que precisará de um corpo mediano para não se sobressair em relação ao prato. Castas como Pinot Noir, Merlot ou Pinotage, podem gerar boas combinações, procure por boa acidez, taninos macios e corpo médio. Espumantes também são opções interessantes, caso prefiras as cepas brancas. Como exemplo de harmonização podemos citar o sul-africano Nederburg 56 Hundred - Pinot Noir (2017), que possui sabor frutado e fresco, corpo médio, taninos elegantes e 11,5% de teor alcoólico.




Bolinho de Bacalhau

Uma das nossas heranças portuguesas é, sem dúvidas, o amor pelo bacalhau! Assim, não dispensamos uns belos bolinhos deste peixe saborosíssimo. O vinho para harmonizar com estas delícias deve ser leve e ter boa acidez, de modo a ser compatível com o sabor suave e gorduroso dos petiscos. Minha dica é para apostar num belo Rosé, estes vinhos possuem corpo adequado para pratos mais suaves a base de peixe, também são mais ácidos e quebram a gordura de frituras. Como exemplo podemos citar o estadunidense Dark Horse The Original California - Rosé (2018), uma bebida frutada, com bela acidez e final agradável, produto de um blend entre as castas Barbera, Pinot Gris, Tempranillo e Grenache. Com 13% de teor alcoólico, é uma combinação perfeita para bons bolinhos de bacalhau.



Pastel de Carne Seca

Outro petisco clássico de bares e botecos, o pastel possui diversos sabores: carne, queijo, frango, pizza, e por aí vai... Para combinarmos pastéis com vinhos, o essencial é a escolha do recheio, assim, optamos por falar de nosso preferido: o pastel de carne seca, normalmente acompanhado de queijo tipo catupiry. Para este recheio, os vinhos tintos são a melhor aposta. De corpo leve para médio, para balancear com a carne seca que possui sabor forte, os taninos devem ser macios e com um toque de acidez que ajudará a quebrar a gordura da fritura. Como exemplo temos o australiano Oxford Landing - Shiraz (2017) um vinho de corpo leve, taninos elegantes, boa acidez e final agradável. Sua potência de sabor e elegância geram boas harmonizações com estes pasteizinhos deliciosos.



Polenta Frita

Outras porções que nunca ficam de fora dos cardápios de boteco são as de Mandioca/Aipim/Macaxeira, Batata ou Polenta fritas. Quando bem fritas e crocantes são uma perdição, podem ser cobertas por queijo, para aqueles que preferem, o que acaba por alterar um pouco na harmonização com vinhos. De maneira geral os vinhos brancos são ótimas opções, com boa acidez e sabores mais suaves. Se você é um dos fãs de muito queijo sobre a porção podes apostar num Chardonnay ou Sauvignon Blanc, se preferes tua porção pura, podes optar por um Pinot Grigio ou Gewürztraminer. Como exemplo temos o italiano Fantinel Borgo Tesis - Pinot Grigio D.O.C (2018), um rótulo leve, fresco, frutado, floral e com bom final. Em seus 12,5% de teor alcoólico acompanha bem estas porções.



Coxinha

Mas, é claro! Não poderíamos deixar ela de fora, nossa queridinha! A coxinha é um clássico brasileiro, desde a tradicional receita de frango até versões adaptadas como as coxinhas de pato, veganas ou doces. Para estes salgados, as melhores opções são os vinhos rosés, pois possuem boa acidez e corpo suficiente para o sabor dos petiscos. Para opções mais pesadas, como de carne seca ou pato, podes apostar num tinto mais suave, como Pinot Noir ou Merlot, já para as versões doces podes arriscar num espumante Moscatel. Como exemplo de harmonização com uma coxinha tradicional temos o chileno Calyptra Vivendo Reserve - Rosé (2018), um vinho jovem, leve, frutado, com acidez presente. Um varietal de Syrah com 14% de teor alcoólico, é uma ótima companhia para estes aperitivos.



Viu só? Vinhos são ótimos acompanhamentos para quaisquer pratos e podem ser uma boa companhia para os clássicos de boteco! Quem sabe teu próximo Happy Hour possa ser num Wine Bar...

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